segunda-feira, 5 de março de 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAESTRO!



Hoje é dia de lembrar das sensações sonoras, das melodias e trimbres que nascidos na alma brasileira foram embalar a viagem de muitas crianças de todas as idades por esse mundão a fora.
Passaram-se 125 anos, que o nosso Tuhú chegou à cidade maravilhosa... de lá, fez um mundo sem fronteiras... reorganizou a geografia deixando um pouquinho de Brasil, onde quer que estejamos.
E como é maravilhoso poder (re)descobrir a cada instante um novo som saído de sua criativa batuta...
Novo, como o nosso trenzinho que já está chegando na estação para levar a música de Villa Lobos e (re)encantar todo mundo pelos trilhos que se alargam por esse Brasilzão cheinho de cor, de sons e de sabores.




Parabéns , maestro!
 Nossa festinha já está marcada:

Festival de Teatro de Curitiba - Sala Raul Cruz/ Cia. do Abração
30 de março, às 18h30 e 01 de abril, às 16h

A gente se encontra lá!!


sábado, 11 de fevereiro de 2012

E LÁ VEM O TREM!!!!!




O Trenzinho do Caipira está pondo fogo na fornalha...
A fumaça já sai pela chaminé...
Nos vagões o vai-e-vem dos passageiros acompanha o compasso do ronco da máquina...
Na estação, todos ansiosos esperam o soar do apito...
O espetáculo para crianças de todas as idades "O Trenzinho do Caipira" da Cia. do Abração estará na programação do Festival de Teatro de Curitiba - 2012.
Já temos um encontro marcado:

31 de março - 18h30
01 de abril - 16h
               na Sala Raul Cruz 




Informações: Fone (41) 3362-9438/ 3362-595/ 9129-9595
Rua Paulo Ildefonso Assumpção, 725 – (Paralela a Av. Fagundes Varela)  – Jardim Social 
O nosso trem vai partir!!!! Preparem-se... e curtam a viagem pelo sonoro universo do maestro Villa Lobos... porque:



E LÁ VEM O TREM!!!!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O TRENZINHO DO CAIPIRA-UM NOVO ENCONTRO

Estudo da personagem Miranda por Kamila Ferrazzi
Menina matuta com cheiro de fruta
Menina caduca que enlaça e desfruta
Menina moleca um tanto sapeca
Menina sincera pra vida se entrega
Menina fofinha que ri com covinha
Menina amorosa um tanto dengosa
Menina medrosa, mas também corajosa
Menina brincalhona, mas um pouco chorona
Menina que encanta, mas às vezes se espanta
Menina que roda, rodeia e segue adiante.
“Doce menina a caminho do sol.
Não tema pequena menina
A gente nunca está sozinho.
O medo vai acabar
Quando bons amigos você encontrar
Ouça a voz do coração que não vai ter
Erro não.
Villa Lobos irá te mostrar
O caminho que deverá trilhar
A musica vai te guiar Basta você confiar”.
Querido Diário... Oi Oi Oi Oi Oi Meu nome é Miiiiiiranda!! É “mi”, como escala das notas musicais...DO,RE,MI,,SOL,,SI! Mas a Mila me chama de Mirandinha, é por que rima com Cirandinha! E eu adoro Ciranda. Aham!! A Mila é minha boneca. Ela é minha única amiga. Mas agora tenho você DIÁrio! Sim como o “DIA”, com seus raios de sol. Eu encontrei você em um baú no sótão da casa minha avó,eu moro com ela,a “Vó Zilda”. Sabe... eu acho que você era da minha mãe. Você estava enrolado em uma camisola de ceda muito bonita com um espelho enferrujado em formato de borboletas,minha avó nunca usaria essa camisola. Então só pode ser dela. E vou te contar um outro segredinho, mas tem que prometer que não vai contar para ninguém. Acho que a Mila era da minha mãe também, ééé embaixo do seu pé esquerdo tem as iniciais Mi.Mi.Mi, Seu nome era Mida. Então só poder ser...MIda,MIranda e MIla. Shiiii!! Não fala alto ela pode escutar. Minha avó nunca falou dela e quando eu pergunto fica brava como um leão. Esse é o nosso segredinho. Mas “Dia” quero te dizer que eu e a Mila estamos indo viajar! Pois eu recebi uma Carta do Villa!! Aham! E o meu nome estava escrito nela. É! M-I-R-A-N-D-A! Com todas as letras. E é tão linda....parece até uma canção...E junto da carta,recebi uma passagem de trem,pra mim e pra Mila. É!!! Mas “dia” não fica triste,assim que eu chegar conto tudo pra você!

“ Venha menina Miranda, venha e saia da varanda, venha ouvir essa musica que de tão linda me faz chorar,venha menina venha Miranda traga um sorriso do seu olhar. A serenata é pra você venha ouvir a sua canção, o choro é lindo de se ouvir no coração”. Com Carinho Villa Lobos.

“No embalo desse trem eu vou,
sem medo de olhar
o que no meu vagão
eu venho a carregar.
Nessa viajem eu quero levar
tudo de bom que a vida nos dá!
Vou limpando o meu vagão
de qualquer assombração
deixando um espaço bem grandão
para tudo que for do coração”
Vamos logo pegar esse trem amigos...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O TRENZINHO DO CAIPIRA – NOVO OLHAR

Estudo da personagem Domitila por Denize de Lucena

ORIGEM DO NOME :

DOMITILA vem do latim, uma variação de Dimícia que significa AQUELA QUE AMA A CASA.

O QUE O TEXTO DIZ?

A Personagem DOMITILA representa o nordeste brasileiro e a nota “dó” da escala musical.

As personagens são acordadas por suas respectivas notas. Todas receberam uma misteriosa carta e se preparam para viajar, mas perdem o trem, ficam tristes e, desoladas, começam a contar suas histórias.

DOMITILA não é uma pessoa de idade avançada, mas parece alguém confiável.

É alguém que busca soluções, não se entrega frente às adversidades da vida.

O QUE A PERSONAGEM DIZ?

Seu nome é DOMITILA, e seu apelido é “Dó”. Veio do Sertão e procura um caminho pelo sentimento.

Andou pelo mundo, presta atenção em tudo, tendo forte relação com a natureza.

Não conhece as letras, mas conhece do mundo e das gentes porque sempre foi muito curiosa e observadora.

Conhece as cirandas e precisa levar seus conhecimentos às crianças do mundo.

RELAÇÕES ENTRE AS PERSONAGENS

A personagem DOMITILA propõe a criação do trem, conduzindo o início da trama, assim como o “dó” inicia a escala musical e a afinação.

A personagem SOLEMAR propõe a DOMITILA um giro pelo Brasil para conhecer o seu folclore, como a “clave de Sol” que encabeça o pentagrama.

REMIR é o parceiro de DOMITILA por ser rezador e também ter origem sertaneja. Na escala musical, também a nota “ré” está ao lado da nota “dó”.

DA DRAMATURGIA

DOMITILA recebe uma carta de Villa Lobos que a convida para “a missão de deixar a ciranda viva na brincadeira das crianças”. DOMITILA aceita o convite e embarca para uma viagem de trem que irá levá-la para cumprir sua missão. Na estação, vê o trem passar e descobre que há outras pessoas que também receberam cartas de Villa Lobos.

Negando-se a se acomodar com a partida do trem, DOMITILA propõe a criação de um trem que possa levar as personagens ao seu destino. Na construção desse trem da vida, resgata a ciranda da infância, os sons de sua meninice e a alegria de viver, costurando lembranças e sentimentos na companhia dos novos amigos, todos reunidos pela batuta do maestro Villa Lobos, que sem apresentar-se, vai tecendo sonoramente os trilhos da trama até a estação final, onde as personagens entendem que é necessário partilhar de suas descobertas com todas as crianças do mundo, num REENCANTAMENTO DA INFÂNCIA.

REFERÊNCIAS PARA CONSTRUÇÃO DA PERSONAGEM

A artista plástica, artesã e poetisa mineira, residente em Curitiba, EFIGÊNIA ROLIN.

http://www.artcanal.com.br/oscardambrosio/efigeniarolim.htm

O artista popular e artesão arquitetônico carioca GABRIEL JOAQUIM DOS SANTOS.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriel_Joaquim_dos_Santos

O artista plástico sergipano ARTUR BISPO DO ROSÁRIO.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bispo_do_Ros%C3%A1rio

O músico alemão radicalizado brasileiro, foi professor da UFBA, em Salvador, ANTON WALTER SMETAK.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anton_Walter_Smetak

O texto A TERCEIRA MARGEM DO RIO, de GUIMARÃES ROSA

http://www.releituras.com/guimarosa_margem.asp

A introdução do texto MORTE E VIDA SEVERINA, de JOÃO CABRAL DE MELO NETO

http://www.culturabrasil.org/joaocabraldemelonetoo.htm

A música ASSUM PRETO, de LUIZ GONZAGA e HUMBERTO TEIXEIRA

http://www.youtube.com/watch?v=BdtIwxlGPSs

http://www.ladjanebandeira.org/cultura-pernambuco/pub/a2006n05.pdf

GÊNESE A PARTIR DO ESTUDO DO TEXTO E REFERENCIAIS

A personagem DOMITILA é de algum lugar do nordeste brasileiro, não é necessário especificar porque ela representa toda a região com suas crenças, sua cultura e saberes.

Quando pequena, perdeu o pai, Seu Chico, de quem só guarda a lembrança em uma foto desbotada. Foi criada pela Vó Donana e a Mãe Zabé. Era a mais velha de cinco filhos: Jão, Tonica, Tiãozinho (falecidos) e Maria Rita (casou-se e mudou para a cidade de São Paulo. Nunca mais deu notícia.).

Donana era parteira e DOMITILA a acompanhava em visita pelas casas da região, ajudando a avó. Assim, aprendeu sobre as ervas e muito sobre as pessoas, pois ficava a observar tudo, ouvindo e perguntando.

Zabé cuidava do pequeno roçado de chão onde moravam, cultivando um roçado e os poucos animais que ajudavam no sustento da família. Levantava antes do sol e ia se deitar depois de todo mundo. O tempo todo ativa, cantava para espantar a tristeza e aliviar o sofrimento. Seu repertório ia das músicas das novenas para N. Sra. das Dô, que puxava com as mulheres em dia de reza, de nascimento e de velório, as cantigas de trabalho que aprendeu com o pai no roçado, e as cantigas de roda, principalmente as cirandas, que aprendeu ouvindo as crianças do grupo escolar.

Depois que Donana e Zabé partiram, DOMITILA que já assumira o afazer da avó, caminhava de vilarejo em vilarejo, prestando auxílio aos que precisavam.

É devota de N. Sra. das Dô, principalmente por ser a morte tão comum, mesmo dos “anjinhos” a quem N. Sra. recebe em seu regaço e o consolo que perta às mãezinhas que perderam seus filhos, assim como ela. Também conhecida por N. Sra da Piedade, da Soledade, das Angústias, das Lágrimas, das Sete Dores e do Calvário. É padroeira de várias cidades brasileiras como Candibas/BA, Guaxupé/MG, Teresina/PI e Marilândia do Sul/PR dentre vários outros.

DOMITILA nunca aprendeu as letras, mas conhece muito da sabedoria do povo e das escritas de Deus, na sabedoria da natureza.

Vive de canto em canto, de feira em feira, cantando e contando histórias. Como não tem parada, diz que vive cirandando: -- “O mundo é que nem numa ciranda... que a gente não pode Pará.”

Um dia teve um sonho lindo: Estava toda enfeitada, como em dia de festa no arraiá. E muito, muito feliz, dançava ciranda com muitas crianças, também felizes a cantar. De repente, ouviu um som comprido e doce... parou de rodar.

Ouviu de novo o mesmo som, as crianças então ficaram tristes...

Ouviu-se novamente o som... era o som de uma rabeca, uma nota só era tocada de maneira chorosa, qual se fosse um lamento...

De repente as crianças sumiram e tudo se fez silêncio... então percebeu um sonzinho abafado que vinha de algum lugar. Procurou e descobriu que vinha do seu embornal. Pegou-o e quando abriu viu luzes coloridas que saindo de dentro dele faziam evoluções no ar, desenhando formas, em linhas coloridas.

Sem precisar de onde, ouviu as vozes das crianças: --“Tia, vem brincar de ciranda com a gente?”...

Acordou... ainda guardava aquelas palavras na mente quando ouviu seu Natanael chamar. Ele era coroinha de padre Inácio e trazia uma carta que chegara para ela.

DOMITILA muito cismada, pediu que ele lesse a carta:

Senhora Maria Domitila de Santana,

Tomei conhecimento de que a senhora conhece

muitas cantigas de ciranda e brincadeiras.

Infelizmente, as crianças deste nosso Brasil desaprenderam

as brincadeiras sadias e contagiantes, simples e empolgantes,

e permanecem indefinidamente sentadas frente a uma

caixa mágica de luzes e movimentos que as hipnotiza,

impedindo que brinquem, cantem, dancem e sejam

crianças felizes.

Segue uma passagem de trem para que venha ter conosco.

Estamos reunindo um pequeno grupo de amigos

para resgatar a valorosa cultura do nosso país.

Rogo-lhe esse pedido, ao tempo que lhe confiro esta missão:

Deixe viva a ciranda na brincadeira das crianças.

Ajude-nos a reencantá-las.

Afetuosamente,

Villa Lobos

Maestro

QUADRINHAS DE DOMITILA

Com Vó Donana aprendi os segredos das folhas

O canto pra mó d’ispantá tristeza, Mãe Zabé me insinô

Minha graça é Domitila, cirandeio, sem apeá, eu vou

Minha casa hoje é o mundo sob o manto de N. Sra. da Dô

Minha graça é Domitila

Cirandeio sem pará

Minha casa é o mundo

E o coraçã é meu quintá

Será que o Trem engata a RÉ?

remir (re-mir)

v.t.

Redimir, resgatar, readquirir.

Libertar do cativeiro, do poder do inimigo.

Teologia Salvar, livrar das penitências.

Expiar: remir os seus pecados."

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Nome: Remir

Origem: Bíblica

Significado: Adquirir de Novo"

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É engraçado o modo como o destino age sobre nós. Eu percebo o quão frágil eu sou, a cada nova montagem, e percebo também como eu me conheço pouco. Confesso que fiquei com MUITO, mais MUITO medo ao saber que ia fazer o Remir, eu olhava e pensava: "Gente, eu mal conheço caipiras, eu só conheço os estereótipos da TV e do cinema... E ESSE SOTAQUE? Como que eu vou conseguir fazer esse sotaque sem ser falso??????", lógico, é uma reação instantânea, e é óbvio que isso mudou no momento em que os ensaios começaram.

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A verdade eu que eu ganhei um BAITA de um presente, só não tinha percebido. É fácil só enxergar o exterior, ver só a "casca" do personagem, que preconceituoso isso. A verdade é que nós não precisamos ser ou conhecer "caipiras" para entender o Remir, o problema é que ele tem uma coisa que muitos de nós perdemos na "cidade grande", nós perdemos a nossa simplicidade. Eu passei boa parte da minha vida "lutando contra" essa minha origem sertaneja, sempre quis me desvencilhar dessa imagem do sertão. E acho que ele veio justamente para me remir¹ desse pecado, agora eu não consigo entender porque eu tinha essa relutância com a minha própria história, desse lado humano, sofrido, batalhador, que lutou e luta pra permanecer vivo. Dessa cultura, dessas crenças e verdades que são tão lindas, tão ricas. Mas o que eu acho que é mais importante, e com certeza o que estava mais distante de mim, era essa alegria de viver, que mesmo sofrendo, trabalhando durante todo o dia embaixo do sol escaldante, sem ter o que comer quando chegar em casa, ou talvez sem ter onde dormir, porque você não tem casa, você ainda é feliz, porque você está vivo, e uma vida, mesmo que seja sofrida, é motivo de muita alegria.

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É essa ingenuidade, esse amor, esse carinho, essa simplicidade, e acima de tudo, essa ALEGRIA que eu quero levar no Trem da minha vida.

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E quanto ao Trem do meu amigo Nhô Villa Lobos, eu só quero levar tudo isso que eu escrevinhei ali em cima, e tentar passar pelo menos um cadinho de tudo isso pro povo que vai vir assistir nóis, porque esse trem e essa vida são bom POR DEMAIS, sô!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

QUEM É O SIDNEI?

Há uma semana estou indagando a vida deste ser que estou carregando nesta viagem para Campina Grande – Paraíba, a fim de apresentar a obra “O Trenzinho do Caipira”, obra que já vi pelo menos uma centena de vezes. Estou com certa ansiedade, por muitos motivos: um deles é que estou voltando ao palco depois de muito tempo. Minha carreira de ator a interrompi abruptamente e até pensei que nunca mais pisaria no palco. Tive alguns trabalhos que ajudaram a desenferrujar, aqui no Abração, do qual faço parte já há mais de 6 anos, mais pouca coisa de palco. Outra é a tradição da companhia com o teatro para crianças e a minha nada familiaridade com o gênero, no palco. Mas como a onça, mesmo sem pinta, continua sendo onça. Ator que já foi ator continua sendo ator. Então, vamos lá na pesquisa básica. Perguntei por várias fontes. Revistei o livro de Leonardo Bosch, que tinha dado de presente para minha companheira no começo de namoro e foi muito inspirador. Gostei de saber a historia do pássaro Eirapuru, contado a través do registro de uma cultura indígena. Mais não me respondia ao meu questionamento essencial. Talvez nunca a responda totalmente.

Meio por acaso, no dia antes de viajar, fomos comprar um caderno para minha enteada, a Carolina, no final ela não achou o caderno que queria mais eu vi um livro da Clarice Lispector “de amor e amizade” e pensei: ela que viveu tão intensamente a vida... Quem sabe? Por que não perguntá-la? Já entre as nuvens, No meio da viagem, num momento de distração parece que ela respondeu, não da forma que esperava, mas de alguma forma, ela comunicou-se com minha alma e jogou de novo a mesma pergunta como dizendo a resposta esta em você. As nuvens também ajudaram a gente literalmente voa. Então surgiram alguns fragmentos de historias que ouvi, já não sei muito bem de quem, mas acredito que isto já não seja tão importante, apenas a ouvi e comparto com vocês.

Sildnei nasceu numa aldeia nas margens do rio Pirapoy. Viveu por algum tempo numa vida pautada por ciclos de caça, plantios e colheitas. E muita dança. Ele lembra no osso as vibrações de taquaras que batiam no chão. Isto também o lembra vagamente da mãe, até hoje uma imagem fractada e muito recorrente. O retumbe no chão o lembra da pele suada e macia. Aconchegante. Traz uma vaga música uníssona e monocórdia. Na sua boca se reproduz o sabor de cinza, de batata doce com pele chamuscada com gosto cinca. Quem foi essa sua mãe? Com certeza ele não sabe. Mesmo que tenham lhe contado não sabe. Mas a memória reproduz um sorriso suave. As suas mãos lembram de um cabelo grosso e denso. Lembra um colo largo e firme. Mais nada. Também de forma turva ressoam ecos de um xaman, cantarolando uma arenga como do fundo da alma. Um som ininteligível hoje, mas fortemente marcado por maracás.

Logo lembra, com certa distância, de seu irmão de cabelo loiro, o Klaus, menino forte e irrequieto. Lembra do velório, por causa da noite fria e o mate doce. Também ficou estampado o dia do enterro. Foi o dia em que por primeira vez a solidão se apresentou na sua vida, implacável. E leva como companheiro desde então. A família após “esta desgraça”, como chamavam, mudou-se para a cidade. Lá nasceu sua irmãzinha Alicia. Dela lembra com carinho a sua doçura de tanto em tanto bate uma saudade.

Do pai (padrasto) pode após o tempo reconhecer muitas coisas, mas fica calcado, mesmo lutando contra, o dia em que repreendeu sua mãe por defender sua preguiça: “Não adianta Martita, seu sangue fala mais alto. Nasceu índio, vai continuar sendo índio.” Esse dia decidiu colocar os pés no caminho, ser dono de seu destino e poupar a mamãe de seu caráter inevitável. (Ela estará viva? Muitas vezes se pergunta).

O sobrenome que leva, herdado da família que o adotou abriu-lhe alguns caminhos. Trabalhou numa padaria e continuou estudando. A duras penas formou-se em astronomia. Mas no dia que recebeu seu diploma percebeu-se sozinho, sentiu sua alma vazia. Foi o dia em que percebeu que o título não mudava sua historia, de muito não lhe servia. No fundo continua índio com sobrenome de branco. Apenas uma mascara emprestada. Bem como tinha dito Dom Raul, seu pai.

Então, decidiu voltar para aldeia, procurar suas origens. Logo descubriu que seus pais já tinham migrado para outro plano e que ele contudo, a pesar de tudo ou mesmo acima de tudo, fatalmente já não pertencia a mundo nenhum. Inteligente que era começou a se dedicar a tudo. Arrumava eletrônicos, resolvia problemas mecânicos de maquinários e veículos. Inventava ferramentas para as necessidades que apareciam. Sempre o viam lendo, como devorando conhecimentos. Até medico era quando se precissava. Ficou conhecido por seus engenhosos inventos e por cima de tudo, sua inesgotável generosidade. Ganhou fama de “conserta tudo”. Só não conseguia consertar sua angustia, isso ninguém sabia, nem sequer era perceptível.

Apaixonou-se várias vezes, mas sempre por moças muito burguesas que invariavelmente a rejeitaram. Na frente de sua casa morava Rosa, que a diferença das outras, o cumprimentava, sempre, seja no mercado ou na padaria. Apaixonou-se também, mas o receio não deixou externar-lo. A olhava treinando e ensaiando. Nunca a viu dançar num teatro, nem mesmo em nenhum palco. Guardou por muito tempo uma página de jornal: “Rosa Magalhães estréia em Paris” dizia o título. Escreveu um poema enquanto esperava sua volta. Quando por fim conseguiu vê-la novamente, ela estava casada com o filho do dono da fabrica de calçados Villa Rica. Mastigou o poema e o jornal lentamente e engoliu devagarzinho como si consuma-se o ato de amor suave e demorado.

Ainda me faltam muitas peças neste quebra-cabeça que é o Sildnei. Não sei, por exemplo, como o entregaram aos seus pais adotivos? Por quê?

Sei que recebeu uma carta e mesmo que sem muito sentido, foi atrás de uma resposta, pois, a sua curiosidade é maior que qualquer desconfiança. A partir daqui a sua história esta na peça que convido a todos verem. Tenho certeza que alguma coisa importante poderemos descobrir todos juntos.

sábado, 24 de julho de 2010

O TRENZINHO EM CAMPINA GRANDE PARAIBA - Minha Estréia

Passei estes últimos quatro anos observando. Olhando o trem passar. As vezes insinuava segui-lo, mas, sempre tinha o pé no freio, segurando firme. Estranhamente, hoje acordei com a sensação de ter-lo pegado no sonho, em alguma estação remota. E de alguma forma, este trem me carregou no vagão da sua história, levado por mãos de navegantes (ou maquinistas, ou..) muito generosos. Me entregaram de mão beijada suas almas, e seus afetos. Sou grato a vida por este regalo. E agradeço a cada um pelo empenho de levar-me junto, da paciência em me ajudar a desenferrujar, de fazer de mim um motor que puxa esta maquina-alma, esta obra inspirada num dos mais entusiastas e convictos reinventores da identidade brasileira: Heitor Vila Lobos. Alias, uma identidade onde, até eu, sinto que me encaixo, que sempre fiz parte dela.

Ao irmão Simão, com quem terei o grande prazer de estreiar na terra que a viu nascer e partir, agradeço a confiança e o denodado esforço para devolverme a este trilho. À Moira que me ensina com resignada humildade a arte de reinventarse a cada dia, de reconstruir afetos. Ao Felipe pela empolgação diária, pela amável solidariedade de colega e de companheiro de viagem. À Negra Aline, por devolverme a cada passo a precisada dimensão da inocência, do sonho inquieto e perigoso do artista que é sabor do instável e do instante. À Fabiana por reintegrarme na confiança da possibilidade acertar e recriarme no erro.

"llegamos tarde los dos a nuestro encuentro en la vida. Tu vienes al comenzar y yo en la despedida..." Não sei se é ironia ou apenas uma inevitável faceta da vida, mas esta letra do Julio Iglesias, me desenha este instante com a Cléu. Não sei porque razão, mais é primeira vez que volto a escrever, aqui depois das boas vindas a esta irmã no grupo, numa postagem que intitulei "Chorar e rir ao mesmo tempo" e hoje estou partilhando esta viagem, com o fatal sabor da despedida. Bem sei que em muitas encruzilhadas a vida define nossos caminhos e advogo seja um caminho, ou um trilho, que "leve para o mundo tudo isso que aprendemos juntos".

À minha amada companheira, mulher, amiga e hoje diretora Letícia: confesso que tive muito medo de enfrentar esta empresa, muito mais por saber de minhas limitações, de minhas travas ontológicas e homéricas, no fundo, talvez apenas insegurança de macho, temendo mostrar fragilidade e desiludir. Mas, agoura, afirmo que não houve maior alegria, ao ter certeza que entreguei minha alma à mão certa, tanto para o palco, tanto para vida, sem receio de ser guiada na sua andança por qualquer caminho. Obrigado por oferecerme, generosamente, a alma sábia e visionaria que habita em você.

Agradeço também a todos que passaram por este trem e deixaram suas pisadas por estes trilhos, e prometo a todos, que deixaram habitar a alma do Sildnei neles, o deixarei vivo e defenderei como um vivo luta pela vida. Como extensão de minha promessa faço minhas, o pedido do grande poeta, Mario Benedetti, como princípio e como norte.



DEFEÇA DA ALEGRIA

Defender a alegria como uma trincheira
defender do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e as definitivas

defender a alegria como um princípio
defender do pasmo e dos pesadelos
dos neutros e dos nêutrons
e das doces infâmias
e os graves diagnósticos

defender a alegria como uma bandeira
defende-la do raio e da melancolia
dos ingênuos e dos canalhas
da retórica e da paradas cardíacas
das endemias e as academias

defender a alegria como um destino
defende-la do fogo e dos bombeiros
dos suicidas e dos homicidas
das férias e do cansaço
da obrigação de estar alegre

defender a alegria como uma certeza
defender do óxido e da sarna
da famosa pátina do tempo
do relento e do oportunismo
dos proxenetas do riso

defender a alegria como um direito
defende-la de deus e do Inverno
das maiúsculas e da morte
dos sobrenomes e das lastimas
do azar
                e também de alegria

sábado, 19 de junho de 2010

ESPETÁCULO “O TRENZINHO DO CAIPIRA” ESTARÁ NO FILO – FESTIVAL INTERNACIONAL DE LONDRINA, EM JUNHO.

Foto: Elenize Dezgeniski

“O Trenzinho do Caipira”, espetáculo teatral para todas as idades da Cia. do Abração, de Curitiba, estará no FILO, nos dias 24 e 25 de junho, em duas únicas apresentações.

Este espetáculo estreou em 2005, no Teatro da Caixa, em Curitiba e já percorreu diversos festivais nacionais e internacionais, entre eles, o Festival Internacional de São José do Rio Preto, recebendo as melhores críticas, de público e de profissionais especializados.

Recentemente, fez temporada no Teatro Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro, através do projeto de ocupação CAIXA Cultural.

SOBRE O ESPETÁCULO

O Trenzinho do Caipira – Projeto Villa-Lobos Para Crianças de Todas as Idades, nasce do sonho de compartilhar com as crianças de todas as idades, a importância e a beleza da música erudita. A escolha de Villa-Lobos se deu pelo potencial criativo, multicultural, folclórico e pedagógico de sua obra, qualidades que sempre levamos em conta ao compor uma obra para crianças.

O projeto traz em seu ideal a soma de diversas linguagens para a construção da cena. Não há a pretensão de se fazer um histórico da vida de Villa-Lobos, não negando esse conteúdo como pesquisa, mas sim, usar sua obra e sua vida como fonte de inspiração, para com isso se aproximar do universo da criança, dividindo com ela o gosto pelo gênero, às vezes tão distante de seu universo. Assim, desmistificando o gênio, tirando-o do inalcançável lugar e o colocando ao pé do ouvido a fim de tocar o ser criativo de quem vê e ouve.

A Cia. do Abração desde sua fundação vem se especializando em produção de espetáculos para crianças. Da mesma forma, o projeto Villa-Lobos para Crianças de Todas as Idades se destina preferencialmente a este público, ressaltando a nossa crença que à criança deverão ser oferecidas várias possibilidades de produtos culturais, de espaços culturais para que ela amadureça sua visão, para que ela contraponha o que conhece com o que desconhece. Para que ela, principalmente, tenha despertada a sua sensibilidade para perceber-se, para perceber o outro, enfim, para perceber o mundo que a rodeia.

SINOPSE

No espetáculo, seis personagens, de diferentes regiões do Brasil, simultaneamente, recebem uma misteriosa carta de Villa Lobos, convidando-os para uma viagem de trem. Encontram-se, por obra do destino ou da carta que receberam, na estação de trem e constatam que acabam de perdê-lo. Este fato provoca uma instabilidade e um questionamento em cada um sobre o sentido de estarem ali. O sentido da viagem, o sentido do trem. O sentido da própria vida. Ao se conhecerem, percebem suas necessidades e desejos comuns e decidem, então, construir o seu próprio trem.

Ao final, com várias informações obtidas sobre a obra de Villa Lobos e muitos ensinamentos para suas próprias vidas, juntos, nossos brasileiros conseguem construir seu próprio trem. Neste instante, decifram a missão contida na misteriosa carta enviada por Villa Lobos e que lhes dá motivação suficiente para iniciar sua grande viagem. O final desta viagem? Cada espectador poderá concluir qual o sentido este trem tomará...

Cia. do Abração

A Cia. do Abração é um espaço de arte e cultura, que há 10 anos atua em Curitiba e tem como proposta principal a pesquisa e produção teatrais para todas as idades, com desenvolvimento de dramaturgia própria difundida através de espetáculos de repertório da Cia. Sua proposta estética está alicerçada na fusão de linguagens artísticas de diversas áreas, elaborada em investigações advindas de processos colaborativos. Além da dança e das artes visuais, trabalha e investiga as técnicas de manipulação de objetos, mímica, produção sonora e conhecimentos da antropologia.

Serviço:

O Trenzinho do Caipira – Espetáculo teatral para crianças de todas as idades

Temporada: 24 a 25 de junho.

Horário: 19h00

Local: Tenda da Mostra Infantil – Zerão. Londrina - PR

Duração: 50 minutos

Classificação indicativa: Livre, especialmente recomendada para crianças.

Elenco:

Cleo Cavalcantty, Paulo Matos, Moira Albuquerque, Felipe Custódio, Negra Silva e Simão Cunha.

Ficha Técnica:

Produção: Cia. do Abração

Direção: Letícia Guimarães

Direção Musical: Octávio Camargo

Texto: Criação Coletiva sob supervisão de Letícia Guimarães

Coreografia: Fabiana Ferreira

Cenografia: Cristine Conde

Figurino: Cristine Conde

Sonoplastia: Maurício Vogue

Iluminação: Anry Aider

Fotografia: Elenize Dezgeniski.

Contatos para Imprensa:

Letícia Guimarães

abracao@ciadoabracao.com.br

41 3362 9438, 41 9243 0321

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Trenzinho do Caipira em crítica do Jornal do Brasil (RJ)

O Trenzinho do Caipira em crítica do Jornal do Brasil (RJ)

O jornalista Ricardo Schöpke, do Caderno B do Jornal do Brasil (RJ), publicou no sábado, 29 de maio de 2010, crítica sobre o espetáculo de teatro infantil "O Trenzinho do Caipira" da Cia. do Abração, de Curitiba (PR), que se apresentou dois finais de semana seguidos no teatro da Caixa Cultural, no centro do Rio de Janeiro.

O título da crítica: Encantadora homenagem ao maestro - Riquíssimo universo musical de Villa-Lobos inspira peça que retrata diversidade brasileira.

A matéria foi assim publicada:

O Brasil pode se orgulhar de ser a pátria do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, u8m dos maiores nomes de todos os tempos na música erudita mundial e brasileira. Banhando-se em seu riquíssimo universo, a diretora Letícia Guimarães coordenou cada um dos seus atores/vagões em busca de um trem especialíssimo, sem chances remotas de descarrilhamento.

No roteiro da peça escrito em processo colaborativo - no qual os atores (conduzidos por Letícia) vão descobrindo os caminhos a serem trilhados na encenação durante o processo de criação - seis personagens de diferentes regiões do Brasil recebem uma misteriosa carta de Villa-Lobos , convidando-os para uma viagem de trem. Juntos, descobrem novos sentidos para as suas vidas e decidem então construir o seu próprio trem. Uma grande colcha de retalhos de sons, luzes, quinquilharias e muita poesia e lirismo. Quem assina a cenografia e figurino é Cristine Conde. No cenário são utilizados um grande arco frontal com vários objetos pendurados, brinquedos infantis de várias regiões do país. A base de todo o trabalho são os singelos e funcionais caixotes de madeira pintados com várias cores e que se desdobram em cena. A cena final dos caixotes se transformando em vagões de trem, composto pela fumaça que sai de um bule que vira chaminé, é um dos pontos altos do espetáculo.

A composição de cores da iluminação de Anry Aider colabora com a criação de uma atmosfera reinante nas regiões por onde as personagens viaja. Na direção musical Octávio Camargo e na sonoplastia de Maurício Vogue, ouvimos o melhor de Villa-Lobos - dentre eles as Bachianas Brasileiras no. 5 - e a sua primorosa composição que dá nome ao espetáculo: O trenzinho do caipira. Sons são extraídos de materiais reciclados, como garrafas de plástico, e também do corpo humano. Assim, como uma verdadeira sinônica natural, Villa-Lobos gravava os sons dos pássaros e da natureza. Baseada neste contexto a poética direção de Letícia busca a aproximação com este universo.

Todos os atores cantam, danças uma bem marca coreografia de Fabiana Ferreira, e interpretam tipos de várias regiões do Brasil. Cleo Cavalcantty, Paulo Matos,Moira albuquerque, Felipe Custódio, Aline da Silva e Simão Cunha estão encantadores, na medida certa para nos contar uma história de homenagem a um personagem tão rico e fascinante da arte nacional.

Rogério Viana

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nosso trem na CAIXA CULTURAL de Rio de Janeiro

Assessoria de Marketing: Sheila Fonseca

Introduzir a cultura popular no processo educativo com o apoio de pais e professores. É o que pretende o projeto teatral Trenzinho do Caipira - Projeto Villa Lobos para crianças de todas as idades.

O evento, organizado pela curitibana Cia. do Abração, reúne espetáculo teatral, oficina de teatro gratuita para crianças e palestra para educadores, arte-educadores e público adulto em geral. A temporada começa no próximo sábado, dia 22, e acontece no Teatro Nelson Rodrigues, espaço da Caixa Cultural, na Avenida Chile, 230, no Centro do Rio. Vai até o dia 30 de maio.

A peça propõe uma imersão no universo lúdico infantil cuja trajetória é conduzida sob o olhar de Villa-Lobos. A construção do espetáculo baseia-se ainda em reminiscências da tradição folclorista, das cantigas de roda, e sons da natureza presentes no inconsciente de todos nós.

“O Público irá embarcar em uma viagem com o nosso trem que na verdade começa quando termina o espetáculo. O nosso trem propõe uma viagem sem data para acabar, levando música, arte e sensibilidade, numa trajetória sempre inesperada, e levar o Trenzinho do Caipira ao Rio de Janeiro é ir de encontro com um pedacinho muito alegre do Brasil. Na nossa história, um dos personagens, o Solemar, é carioca, representa o Sol no sentido de iluminação, afeto e também da nota Sol da escala musical.” conta Letícia Guimarães, diretora e co-autora do espetáculo.

Composto de encenação, música, coreografia e animação de objetos do cotidiano, o espetáculo mapeia um Brasil musical, contando a história de seis personagens, de diferentes regiões do país, que simultaneamente recebem uma misteriosa carta de Villa-Lobos convidando-os para uma viagem de trem, provocando um encontro que muda completamente suas vidas.

O projeto apresenta ainda uma programação variada, que atinge a diversos públicos como crianças, adultos, professores, educadores e interessados na temática do teatro infantil.

Na oficina “Ludicidade no teatro para crianças”, o público infantil de 8 a 13 anos poderá praticar as vivências teatrais desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisas Cênicas da Cia. do Abração, com técnicas corporais lúdicas de Contação de Histórias e Animação de Objetos, presentes na prática do Teatro para Crianças da companhia. Serão desenvolvidos jogos dramáticos, exercícios de percepção espacial, sonora e corporal; além de improvisação e construção de cena.

"A palestra “O teatro para crianças e a arte educação” será uma oportunidade de compartilhar nosso pensamento com o público carioca sobre esta arte tão especial que às vezes é desacreditada, caindo muitas vezes no preconceito de ser uma ‘arte menor’, quando, ao contrário, exige de seus fazedores um refinamento técnico, artístico e intelectual, para superar e surpreender as expectativas de um público exigente e sincero em suas manifestações.” diz Letícia.

A Cia. do Abração é um espaço de arte e cultura, que há 10 anos atua em Curitiba e tem como proposta principal a pesquisa e produção teatrais para todas as idades, com desenvolvimento de dramaturgia própria difundida através de espetáculos de repertório da Cia. Além da dança e das artes visuais, trabalha e estuda as técnicas de manipulação de objetos, mímica, produção sonora e conhecimentos da antropologia.

SOBRE O EVENTO:

O Trenzinho do Caipira – Espetáculo teatral para crianças de todas as idades

Temporada: 22 a 30 de maio.
Horário: Dias 22, 23, 29 de maio, às 15h e dia 30 de maio, às 11h e às 15h.

Dia 22 palestra ‘O Teatro para Crianças e a arte-educação’, às 14h30min.
Dia 29 Oficina ‘Ludicidade no Teatro para crianças’ das 9h30min às 11h30min. Inscrições para oficina abracao@ciadoabracao.com.br

Local: Teatro Nelson Rodrigues – Caixa Cultural – Av. Chile 230, Centro, Rio de Janeiro/RJ

Telefone: (21) 2262-8152

Capacidade: 388 pessoas.

Ingresso para o espetáculo: R$10,00 inteira e R$5,00 meia.

Palestra e oficina com entrada franca
Duração: 50 minutos
Elenco: Cleo Cavalcantty, Paulo Matos, Moira Albuquerque, Felipe Custódio, Aline da Silva, Simão Cunha.
Produção: Cia. do Abração
Direção: Letícia Guimarães
Direção Musical: Octávio Camargo
Texto: Criação Coletiva sob supervisão de Letícia Guimarães
Coreografia: Fabiana Ferreira
Cenografia: Cristine Conde
Figurino: Cristine Conde
Sonoplastia: Maurício Vogue
Iluminação: Anry Aider
Fotografia: Elenize Dezgeniski
Classificação indicativa: Livre, especialmente recomendada para crianças.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Viagem: SESC Araraquara

Estava eu a pensar, onde esse O Trenzinho Do Caipira vai parar?
Numa destas viagens longas, onde a empolgação e o cansaço se cruzam na contramão
Eu, pequenina encontro-me a pensar em quantas coisas nós artistas temos de lutar!
Lutar pra preservar um sonho, um amor, uma vida desprovida
de coisas que o mundo - para mim - deve saber e entender
E no SESC de Araraquara, interior de São Paulo, pude sentir em que passo
Passa meu coração...Sentir esse ardor de felicidade ao compartilhar
desejos, lembranças, futuros e passados entrelaçados de 05 anos de duração...
Eu enquanto atriz-artista tenho orgulho da Cia. do Abração
e de todos os atores, artistas e técnicos que fizeram desse momento o meu momento de diversão
E como Miranda fico feliz que caminho nos trilhos do destino da felicidade
Com tanta alegria, verdade e sinceridade...
No Sesc de Araraquara, mais uma vez tenho dado um passo
junto de tantos amigos queridos que compartilho diariamente
Um plano maluco: Germinar, Crescer e Florescer pequenas pessoas diferentes
que alguns chamam de criança, e eu chamo de pequenas esperanças incandescentes...

segunda-feira, 8 de março de 2010

ESTREIA DA ESTREIA

E a emoção me toma...sei lá...nesse dia eu não sabia que brincar era mais importante do que...do que me preocupar com desejos, sensações negativas! Aqui, entre amigos, sei que entrar nessa viagem me faz uma pessoa melhor...Eu, Aline Negra Silva....
Fica esse carinho..essa nova caminhada...
Quanto a Mirandinha e seus sentimentos de estar e novamente ESTAR com a história viva desse trem bão, fica dentro do meu peito e de todos os outros que compartilhei...
Amo estar, ser e viver O TRENZINHO DO CAIPIRA!
Bjs da Negra

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Novo Começo, Novo Elenco

Renovação é a palavra chave do momento no espetáculo "O Trenzinho do Caipira", e isso significa novos jeitos de pensar a mesma história contada por "personagens novos". Mais uma oportunidade de pesquisar sobre a Dramaturgia coletiva desenvolvida pela Cia. do Abração, bem como continuar a pesquisa para e evolução e refinamento da obra de arte "O Trenzinho do Caipira", que em 2010 completará cinco anos de vida.
Então atores, como está o processo de re-criação desse trem?


COMENTÁRIOS



Intervenções Cênicas disse...


Oi amigos! A Aline, Negra Silva, está muito ocupada brincando com a Mila, minha boneca de pano... Dae ela pediu pra eu responder esse Tópico.
Bom, gostaria de agradecer a oportunidade de espaço pra poder falar sobre um pouco de mim...
Hoje estou aqui pra dizer o quanto estou feliz por encontrar amigos tão legais (DOmitila, REmir, FArelo, SOLemar, LAurie e SIldnei). No entanto não tinha tantos amigos antes... Vivia com minha mãe, quase sempre ausente... Também vivia com meu cachorro, o Fred, que na verdade era um cachorro da vila e minha boneca de pano mais linda do universo: Mila.
Às vezes, vovó e minha tia iam me visitar, mas como vovó está muito doente e não pode sair da cama minha tia cuida dela. Às vezes minha tinha vai lá dar uma olhada em como estão às coisas em casa... Mas ela é meio durona, nunca me dá um abraço apertado... Acho que deve ser aquelas coisas de adultos: Sempre com medo de alguma coisa, de um abraço, de um olhar... Ai, eu não tenho medo não! Eu enfrento tudo que for preciso! Eu abraço, beijo, brinco, pulo, corro e nunca me canso! As vezes minha mãe diz que eu sou muito “espivetada” mas nem sei o que é essa palavra...deve ser algo bem rápido, tipo um beija-flor...
Bom, eu queria muito ir pra escola, mas tenho que ficar esperando minha mãe voltar do trabalho... Ela passa muitas horas fora de casa, às vezes vira o dia... E eu fico tão só... Tenho de me virar pra comer e aprendo as coisas tudo sozinha! É, mas não pense que sou infeliz, às vezes fico triste porque quero o colo da minha mamãe, mas daí quando eu olho pra Mila e penso com os amigos que conheci na estação de trem tudo fica melhor !!! Aiai, não vejo a hora de vê-los amanhã no Cia. do Abração!
Um beijão e amanhã eu contarei mais sobre mim...Ah! E sobre a Mila Também...
Bejoooooooo Ops e um ABRAÇÃOOOOOOO
Miranda, a menina que adora Ciranda

22 de fevereiro de 2010 21:16
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Anônimo disse...

Fantástico, fazer parte dessa nova equipe do "O Trenzinho do Caipira" está sendo uma experiência maravilhosa, esse espetáculo nos permite perceber muito sobre os sentidos, o nosso, o do outro, da minha e das outras vidas a qual eu pertenço. Em particular ter como presente o personagem REmir, me aproxima de quem eu sou, de onde eu vim, e principalmente me deixa mais perto de Deus. REmir é peão, ligeiro, seresteiro, inté chorão! Um rezador. Um banho de sensibilidade que esses personagens vem descobrindo a cada dia desse processo. Villa Lobos se mantém vivo na Cia do Abração e nosso vagão está cada dia mais completo, vagão de tamanho infinito, cheio de sonhos, lembranças e cores. O processo continua e isso me da a certeza que esse trem vai longe. Pra onde o sol é redondo e a música rola solta pelo ar. O Trenzinho bão sô!

24 de fevereiro de 2010 17:23
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Cleo disse...

Ás vezes, a gente sente que vida da gente é que nem um trem, bem grande, cheio de cores, de sons, de sabores, e acaba se perdendo no universo que é o dentro da gente!
Um dia, descobri a história de uma menina que seguiu jornada atráz de um coelho e se deparou com tanta coisa que nem se pode imaginar!
Alice é o nome da bichinha.
Eu penso cá cos meus botões:Que será que teria acontecido com essa menina se ela num tivesse CURIOSIDADE?Ela teria ido atráz do orelhudo? E se num fosse, a vida dela tomaria outro rumo, outra cor?
Pois lhes digo minha gente, o coelho também passou pela minha vida. Mas veio foi na forma duma carta, perdida entre os cacareco do meu carrinho de catadora.
Ora vejam vocês, uma carta!
Endereçada pra mim e tudo mais...
Uma carta...
Logo pra mim; Domitila Vicente, nascida no norte, acostumada as aridez da vida.Mandada por um moço que eu mesma nem nunca ouvi falar.
Mas já que recebi, é porque de alguma forma minha pessoa há de ter valia pra outra gente!
E lá vou eu meu povo, atráz de tomá rumo no encalço desse trem.
Porque a história do outro coelho, eu sei é de ouvir dizer, mas a história do meu coelho, eu vou saber é de viver!!!!

Grande abraço,

Domitila.

24 de fevereiro de 2010 20:01
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